Robin Williams é encontrado morto

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O comediante Robin Williams foi encontrado morto nesta segunda em sua casa, no norte da Califórnia. Segundo autoridades locais, o ator, que tinha 63 anos, aparentemente se suicidou. Apesar de a causa da morte estar sob investigação, a suspeita é de asfixia. “Esta manhã eu perdi meu marido e meu melhor amigo, enquanto o mundo perdeu um de seus mais amados artistas e um belo ser humano. Meu coração está absolutamente partido”, disse a mulher de Williams, Susan Schneider.

O também comediante Steve Martin postou, em seu Twitter: “Eu não poderia estar mais atordoado com a perda de Robin Williams. Íntegro, um grande talento, parceiro de cena, alma genuína”. Pelo Twitter, a Casa Branca divulgou o pronunciamento do presidente Barack Obama: “Ele chegou em nossas vidas como um alien – mas acabou tocando cada elemento do espírito humano” disse, em referência ao personagem Mork, da série Mork & Mindy, que o deixou famoso no fim dos anos 1970.

Segundo a empresária do ator, Mara Buxbaum, ele sofria de uma depressão severa. Tendo lutado contra um vício no passado, Williams entrou em um centro de reabilitação no último mês para tentar se manter sóbrio. Fontes próximas ao ator disseram que ele não estava usando drogas ou álcool, mas estava frequentando o centro para “aperfeiçoar e focar” sua sobriedade após trabalhar em um cronograma maior do que o normal.

Autoridades locais disseram ter recebido uma ligação de emergência por volta do meio-dia (horário local) de ontem dizendo que Williams estava inconsciente em sua casa e não respirava.

Williams conquistou as telonas em filmes como Bom Dia, Vietnã (1987), e Uma Babá Quase Perfeita (1993). No entanto, foi um drama que rendeu a ele o Oscar de melhor ator coadjuvante: em Gênio Indomável (1997), ele interpretou o terapeuta Sean Maguire.

Em 2011, quando lançou o filme Happy Feet: O Pinguim 2, ele falou sobre a cirurgia no coração à qual se submeteu em 2009. “A operação foi há dois anos e continuo bem. Não senti medo, pelo menos uma vez tomei a decisão certa”, disse à agência EFE. Recuperado da recaída que teve em 2006 à dependência alcoólica – na época, o ator não bebia havia 20 anos – Williams disse ter a sorte de estar vivo.

Na época do lançamento da animação, ele deu entrevista ao Estado. Quando perguntado sobre seu bom humor, disse: “Não, não sou sempre assim e é estranho, porque as pessoas esperam que eu seja. Uma vez uma senhora me cutucou no aeroporto e me pediu para fazer algo engraçado. É como passar por Baryshnikov e gritar: ‘Dance, seu desgraçado’. Não funciona assim. Uma noite eu estava lendo para minha filha, ela tinha três anos. Eu estava todo animado e ela me cortou, dizendo: ‘Pai, não faça vozes. Só leia a história’”.

Em 2009, o ator apresentou o espetáculo de stand-up Armas de Destruição de Massa. Na ocasião, ele abordava temas pessoais, incluindo o alcoolismo. Ainda em entrevista ao Estado, disse que o palco foi terapêutico por tê-lo ajudado a falar de momentos difíceis, como a cirurgia no coração.

Ativo no Facebook, sua última postagem data de 30 de julho. Sob o texto “Primeiro olhar sobre Uma Noite no Museu 3. Espero que gostem”, ele postou um trailer do filme que gravou com atores como Ben Stiler, Rebel Wilson, Owen Wilson, Steve Coogan e Ricky Gervais. O filme deve ser lançado em dezembro.

Fonte: http://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,robin-williams-e-encontrado-morto,1542242

Escrita para curar

Escrita
O texto abaixo retrata como em alguns casos, escrever de forma orientada sobre experiências traumáticas pode ajudar pessoas a refletir sobre si e a superar a dor da perda e seus traumas.

Texto de Massimo Barberi
Há seis anos Marta perdera o marido em um acidente de carro. Embora tivesse, aparentemente, superado o trauma, custava-lhe manter as relações com os amigos e ainda mais conhecer novas pessoas. Dormia e comia muito pouco e um véu de tristeza permanente a atormentava. Por sugestão de pessoas próximas decidiu procurar ajuda terapêutica. Na primeira consulta, falou por meia hora. Depois se calou. E continuou calada nos três encontros seguintes.

Não é que não quisesse continuar (ou iniciar) a psicoterapia – simplesmente não conseguia falar. Ainda assim tentava: chegava na hora marcada e se empenhava para romper a própria mudez. Cerca de um mês após o início dos encontros o psicoterapeuta interrompeu seu silêncio com palavras que surpreenderam Marta: “É suficiente por enquanto. Na próxima semana, traga um caderno e uma caneta”. Marta levou o material pedido e – para sua surpresa – conseguiu expressar nos encontros seguintes muito mais do que imaginava. Por meio da escrita vieram as lágrimas, o reconhecimento da frustração e da raiva pela perda precoce, as associações que a remeteram a cenas de morte vividas na infância, as reflexões, de novo as palavras – e um novo alento.

Embora não seja muito comum, em certos casos, alguns psicoterapeutas recorrem, em vez da fala, à escrita. Registrar no papel experiências negativas, como um luto, pode ser uma técnica terapêutica eficaz em determinadas circunstâncias. Alguns estudos mostram efeitos da narrativa escrita sobre a saúde em geral, física e psíquica, mesmo de pessoas sãs. Os resultados são animadores, a tal ponto que a velha idéia do “caro diário” foi revalorizada.

“Na clínica, o objetivo é ajudar o paciente a compreender melhor as questões que o inquietam, aproximar-se dos sintomas e da dor psíquica de forma protegida, traduzindo emoções em palavras”, diz o professor de psicossomática Luigi Solano, da Universidade La Sapienza, em Roma, autor de Scrivere per pensare (Escrever para pensar, não lançado no Brasil). Ele acredita que a escrita terapêutica ajuda a pessoa a descrever detalhes de experiências negativas, explicitar sentimentos, colocar os fatos em ordem cronológica e estabelecer nexos. Para ele, escrever e falar não se contrapõem, mas, diferentemente do que se dá na comunicação verbal, na qual há espaço para associações inesperadas, que muitas vezes levam a questões inconscientes intrincadas – e fundamentais para o tratamento –, na escrita o foco é mais definido.

EXPERIÊNCIAS TRAUMÁTICAS
Estudo publicado no Journal of Paliative Medicine apóia a idéia de que descrever os próprios sentimentos e emoções em uma narração coerente dos fatos pode ser útil em situações específicas, como superar o luto da morte do cônjuge – a exemplo de Marta. Para medir a eficácia da técnica, os pesquisadores avaliaram os pacientes deprimidos depois de estes passarem por uma perda significativa e pediram a eles que registrassem regularmente seus sentimentos.

O primeiro estudo sobre a técnica da escrita foi realizado no início da década de 90, por James Pennebaker, diretor do Departamento de Psicologia da Universidade do Texas em Austin, com alguns de seus alunos. Pennebaker pediu que, durante quatro dias, cada estudante escrevesse todos os dias, por 15 minutos, pensamentos suscitados por experiências traumáticas, sem se preocupar com a qualidade dos textos e sem se identificar. Uma vez iniciada a escrita, os voluntários deveriam prossegui-la, sem se deter e sem dar atenção à ortografia, à gramática ou à estrutura do período. Os resultados foram surpreendentes: os estudantes, em geral de classe média alta, descreveram uma penosa lista de histórias trágicas. Estupros, violência na família, tentativas de suicídio e problemas com drogas foram os temas mais comuns. “Metade deles descreveu experiências que qualquer psicólogo consideraria traumáticas”, constatou Pennebaker.

A partir dessa primeira experiência, os alunos de Pennebaker foram acompanhados durante todo o ano escolar. Descobriu-se que a freqüência de suas visitas ao centro médico universitário diminuiu, pois os problemas somáticos reduziram em quantidade e intensidade. Essa foi a primeira demonstração de que a “técnica da escrita” pode ter efeito positivo na saúde em geral, inclusive a física.

Uma possível explicação é fornecida por pesquisas sobre os efeitos da escrita sobre o sistema imunológico. Expressar no papel as próprias experiências negativas parece aprimorar a percepção da pessoa a respeito de si, tornando a somatização mais tênue. Smyth constatou também a redução nos níveis de cortisol (hormônio produzido por uma glândula do sistema neuroendócrino, ativado nos momentos de stress) nos pacientes que escreveram sobre seus traumas.

POR QUE FUNCIONA?
Embora alguns psicanalistas ressaltem a importância da codificação verbal de conteúdos armazenados em forma não-verbal, outros reconhecem a mudança que a escrita é capaz de provocar na percepção de si. Algo similar àquilo que Sigmund Freud imputava ao papel do diário. A “voz do ausente”, expressão usada pelo fundador da psicanálise para designar a escrita, pode facilitar a elaboração de perdas e a aceitação do luto e da separação – o que abre caminho para reparações psíquicas.

Mas, afinal, como o registro das experiências no papel pode causar tantos benefícios? “É muito difícil encontrar uma única explicação para um fenômeno tão complexo”, reconhece Solano. “O fato é que ao longo da vida todos passamos por eventos mais ou menos traumáticos e, mesmo que estejamos bem e não apresentemos transtornos significativos, é provável que haja um elemento estranho em nossa mente que pode impedir o desenvolvimento máximo das potencialidades. Por isso, quando escrevemos regularmente sobre nossas emoções e trajetória, quase sempre vem à tona um evento que nos perturba. Escrever ajuda a reelaborar e superar essas vivências desagradáveis.”

Outra hipótese, complementar à anterior, sustenta que a escrita “ensina” a mente a pensar de forma mais complexa e articulada. “É uma espécie de exercício mental que ajuda nas relações com os outros e consigo mesmo”, afirma o psicólogo. Certos estudos demonstraram que, após escreverem seguindo essa técnica, as pessoas se tornaram mais ativas nas relações com os outros. “Os experimentos mostram ativação de habilidades sociais, maior facilidade para se expressar afetivamente e, em alguns casos, a escrita ajudou a redefinir metas profissionais”, observa. É como se, ao serem colocados no papel, desejos, necessidades e emoções se tornassem mais claros.

abril de 2008
Massimo Barberi
Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/escrita_para_curar.html

Guns N’ Roses: transtorno bipolar, a doença de Axl Rose

“Axl Rose é um babaca”, “Não sei como Axl consegue ter fãs”, “Axl destruiu o nome Guns N’ Roses”… Dentre todas essas fases ditas por algumas pessoas, a mais intrigante delas e que também resume muito bem todas essas indagações é a seguinte: “Por que Axl não consegue agir como uma pessoa normal?!” E a resposta é muito simples: Simplesmente porque ele não é uma pessoa normal. E isso não é algo que eu, um fã, estou dizendo para tentar aumentar meu ídolo e tentar colocá-lo acima de outros artistas. Axl Rose foi, na década de 90, clinicamente diagnosticado como bipolar.

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É claro que para o leigo, transtorno bipolar soa apenas como um nome mais bonito para mudança de humor, e aparenta ser apenas uma desculpa para ser estúpido, colocando a culpa na doença. No entanto, o verdadeiro nome científico dessa condição não é tão amigável… Psicose maníaco depressiva. É disso que Axl Rose sofre, e explica muitas das ações do músico que pessoas normais têm dificuldade de entender.

É preciso compreender que Axl Rose é a definição de louco. A maioria das pessoas quando diz que ele é louco, diz em tom de brincadeira, mas o fato é que ele é de fato louco… Maníaco psicótico para ser mais exato. Em séculos passados, Axl Rose teria sido internado em manicômios, onde suas ondas de depressão ou de grandeza/mania não afetariam ninguém a não ser ele mesmo. Para a sorte dos que sofrem dessa doença, há algumas décadas existem tratamentos a base de Lítio que inibem essas ondas, de forma que a pessoa possa viver normalmente. Mas, para o azar dos fãs, Axl se recusou a se quer iniciar seu tratamento. Vamos a seguir entender mais da doença e como ela tem afetado Axl Rose.

A ADEB (Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares) define a Doença Maníaco-Depressiva como uma doença psiquiátrica caracterizada por variações acentuadas do humor, com crises repetidas de depressão e mania. Qualquer dos dois tipos de crise pode predominar numa mesma pessoa sendo a sua frequência bastante variável. As crises podem ser graves, moderadas ou leves.

As viragens do humor, num sentido ou noutro têm importante repercussão nas sensações, nas emoções, nas ideias e no comportamento da pessoa, com uma perda importante da saúde e da autonomia da personalidade.

A ADEB, define também as duas fases da doença, descrevendo seus principais sintomas:

O principal sintoma de mania é um estado de humor elevado e expansivo, eufórico ou irritável. Nas fases iniciais da crise a pessoa pode sentir-se mais alegre, sociável, activa, faladora, auto-confiante, inteligente e criativa. Com a elevação progressiva do humor e a aceleração psíquica podem surgir alguns ou todos os seguintes sintomas:

- Irritabilidade extrema; a pessoa torna-se exigente e zanga-se quando os outros não acatam os seus desejos e vontades;

Tenho certeza que nenhum fã de música tem a menor dificuldade em associar Axl a este sintoma. A maioria das pessoas o chama de mimado, de bebê chorão, de diva… E apesar de eu mesmo concordar que esses adjetivos se aplicam, é visível que é mais um sintoma da doença. Em St Louis, em 1991, Axl exigiu à segurança do show que removesse uma pessoa da plateia. Como seu desejo não foi atendido, ele zangou-se e de uma hora para a outra pulou em cima do homem para socá-lo. Mais recente ainda, em 2010, Axl foi avisado durante o show de Reading que caso atrasasse o som da banda seria cortado. Mas Axl não pode ser contrariado… Ao ter o som cortado, continuou o show com um megafone e com violões. Não que a atitude dele não tenha sido incrível, mas é só mais uma prova de que ele não aceita ser contrariado. E quando o é, fecha a cara, como no show do Guns N’ Roses em Dublin em 2010, quando ele foi legalmente obrigado a terminar o show, apesar de sua intenção de ir embora após o palco ser bombardeado por garrafas e cópos devido ao atraso da banda.

- Alterações emocionais súbitas e imprevisíveis;

São inúmeros os casos em que a banda estava tocando e sem mais nem menos, Axl Rose saiu do palco e vez ou outra nem voltou mais. Quem esteve no Rock in Rio em 2011 ou viu o show pela TV pode perceber claramente como Axl Rose começou o show bem humorado e assim continuou até o meio dele, quando de repente fechou a cara e não falou mais nada durante o show inteiro.

- Reação excessiva a estímulos, interpretação errada de acontecimentos, irritação com pequenas coisas, levando a comentários banais;

Durante o Rock in Rio em 2001, Axl vê durante It’s So Easy um homem na plateia com uma camisa do Slash. Começa a mostrar o dedo do meio para ele durante um dos versos, e quando começa o solo, pede ao Sr. Segurança que retire o pobre coitado e lhe dê a maldita camiseta. Exagerado? O mesmo vale para Leeds em 2002, quando um dos fãs perguntou “Where’s Slash” – em analogia ao “Where’s Izzy?” de 1991 – e Axl respondeu na lata “Tá no meu cu! Vai pra casa, otário.” Ou até mesmo em São Paulo, em 2010, quando Axl literalmente ameaçou ir embore do show e deixar 40 mil pessoas sem show por ter sido atingido por um copo d’água. Realmente, todos esses acontecimentos seriam incômodos para qualquer um, mas, condizendo com o sintoma, há uma reação excessive e irritação com pequenas coisas por parte de Axl.

- Aumento de interesse em diversas atividades, despesas excessivas, dívidas e ofertas exageradas;

Esse aspecto da fase de mania de Axl é bem vísivel. Seus planos para o Guns N’ Roses e Chinese Democracy eram astronômicos… Albúm triplo, 14 milhões de dólares, videoclipes caríssimos (Axl narra em sua carta na arte alternativa do Chinese Democracy sua viagem até a China, e existem rumores que ele foi até para Shangrila, procurando locações para gravar um clipe de Catcher In The Rye). Tom Zutaut, famoso empresário do Guns N’ Roses na década de 80, disse que em 2002 ouviu – pasmem – 70 demos gravadas para o Chinese Democracy. 70! Em 2002!

- Grandiosidade, aumento do amor próprio. A pessoa, pode sentir-se melhor e mais poderosa do que toda gente;

Até os fãs mais fanáticos de Axl tem que admitir que de vez em quando ele age como se estivesse se colocando acima das outras pessoas.

- Energia excessiva, possibilitando uma hiperatividade ininterrupta;

Axl certamente grava suas demos – 70!? – em ondas de hiperatividade antes de afundar em uma onda de depressão, ficando improdutivo por semanas a fio. Um crítico da Rolling Stone, quando fazendo sua – excelente – crítica ao Chinese Democracy, disse ter ficado fascinado com o vocal de Axl Rose na música Sorry. Ele disse que a versatilidade do vocal, que ia de 8 a 80 em segundos era fantástica. Ele disse que a beleza de Axl e do Chinese Democracy é que, provavelmente, em algum balcão em Los Angeles ou em algum HD perdido na casa do músico em Malibu, há centenas e quem diria talvez milhares de gravações diferentes de Axl cantando “But I don’t want to do it” de inúmeras maneiras diferentes, e que provavelmente ele escolheu aquela forma peculiar que foi para o álbum após ouvir e testar cada uma delas várias e várias vezes. Eu não duvido.

- Incapacidade em reconhecer a doença, tendência a recusar o tratamento e a culpar os outros pelo que corre mal;

Veja o que Axl disse sobre a doença numa entrevista na década de 90: Então de repente sou diagnosticado maníaco depressivo. ‘Vamos dar remédios pro Axl.’ Bom, esses remédios não me ajudam a lidar com stress. A única ajuda é que as pessoas saem do meu pé, porque elas percebem que eu estou medicado.”

- Abuso de álcool e de substâncias.

Desnecessário comentar…

Esses são os principais sintomas da fase de mania da doença, e relacionam-se com os desejos de Axl de tornar o Guns N’ Roses um fenômeno enorme, com múltiplos álbuns, turnês massivas. No começo da década passada isso era mais visível. Certamente quando Axl disse no Rock in Rio em 2001 que estariam de volta no próximo verão com músicas novas, ele estava falando a verdade. Certamente ele tinha o desejo de lançar seu novo álbum, havia confiança na nova banda, e uma grandiosa turnê marcada pelo mundo, mas de repente tudo foi por água abaixo sem a menor explicação. Em 2002, a mesma coisa: promessas de álbum, confiança, até aparição no VMA, mas de repente Axl não sobe para o palco em um show na Philadelphia e em seguida toda turnê mundial é cancelada, e ele não é visto por mais 4 anos. Novamente sem explicação. Ou será que há uma explicação?

A fase de depressão, bem como a fase de mania, podem vir de repente, sem o menor aviso… A auto-estima da pessoa cai imensamente, ela se sente incapaz e impotente, e isso se relaciona fortemente com os cancelamentos repentinos de shows e turnês. Assim como as ondas de euforia se relacionam com a fase de mania. Em 2010 Axl publicou em seu Twitter que todos os futuros shows do Guns N’ Roses estavam cancelados. Em 2011 ele publicou no MyGNR Forum que em 2012 lançaria um novo álbum do Guns N’ Roses. Em ambos os casos, a equipe do Guns N’ Roses disse que Axl fora hackeado – duas vezes?! Mas na minha humilde opinião, tanto o caso do cancelamento repentino da turnê em 2010 – e em 2001 e em 2002 – quanto o caso do anúncio repentino do álbum em 2011 são obras das ondas de depressão e de mania, respectivamente, que chegam sem avisar, do nada. Axl, extremamente depressivo ou extremamente otimista, certamente fez esses anúncios sem consultar os empresários, o que levou-os a tomar medidas drásticas mais tarde para consertar esses erros.

Vamos agora à definição da fase de depressão feita pela ADEB, bem como seus sintomas analisados: O principal sintoma é um estado de humor de tristeza e desespero. Em função da gravidade da depressão, podem sentir-se alguns ou muitos dos seguintes sintomas:

- Preocupação com fracassos ou incapacidades e perda da auto-estima. Pode ficar-se obcecado com pensamentos negativos, sem conseguir afastá-los; Sentimentos de inutilidade, desespero e culpa excessiva;

Mais uma vez, vejo isso com relação aos cancelamentos da turnê, aos lançamentos cancelados dos álbuns etc.

- Perda de interesse pelo trabalho, pelos hobbies e pelas pessoas, incluindo os familiares e amigos;

Isso é apenas um palpite, mas apesar de ter certeza que Axl tem suas ondas de hiperatividade quando passa seus anos trancado em casa, certamente passa dias sem fazer nada.

- Alterações do apetite e do peso;

Desnecessário comentar também, né?

- Uso excessivo de bebidas alcoólicas ou de outras substancias;

Idem acima.

- Perda da noção de realidade, de tempo;

Muitos fãs brincam que Axl vive no mundo dele e no tempo. O fato é que ele realmente vive.

A ADEB finaliza dizendo que a noção de doença mental na opinião pública é, em geral, muito confusa e pouco correta. Verifica-se uma tendência para considerar negativamente as pessoas que sofrem de doenças psiquiátricas e é frequente a ideia de que as doenças mentais são qualitativamente diferentes das outras doenças. É muito comum imaginar que há uma [doença mental] única ([a doença mental]), atribuindo às pessoas que tenham sofrido crises, um prognóstico negativo de incurabilidade, aferido erradamente pelos casos de doentes mentais mais graves e crónicos. Por vezes o diagnóstico médico das diferentes doenças psiquiátricas não se faz na altura própria, por variadas razões, e isso acontece, com alguma frequência, na Doença Bipolar.

O conhecimento, mesmo que simplificado, das características da Doença Bipolar facilita a seu reconhecimento aos próprios (que a sofrem) e aos outros, possibilitando uma maior ajuda a muitas pessoas que carecem de um tratamento médico adequado e de uma solidária compreensão humana.

Um outro site sobre medicina caracteriza a doença da seguinte maneira:

O paciente apresenta períodos de intensa depressão (podendo levá-lo ao suicídio), e períodos de intensa euforia (mania), levando-o quase sempre a graves distúrbios sociais. Entre estes períodos, o doente recupera toda a lucidez.

Até há bem pouco tempo conhecida como psicose maníaco-depressiva, a doença bipolar do humor é caracterizada por períodos de um quadro depressivo, geralmente de intensidade grave, que se alternam com períodos de quadros opostos à depressão, isto é, a pessoa apresenta-se eufórica, com muitas atividades, às vezes efetuando gastos financeiros desnecessários e elevados, com sentimento de omnipotência, quase sempre acompanhados de insónia e falando mais do que o seu habitual. Este quadro é conhecido como mania. Tanto o período de depressão quanto o da mania podem durar semanas, meses ou anos.

A pessoa que apresenta o quadro de mania mostra um humor anormal e persistentemente elevado, expansivo, excessivamente eufórico e alegre, às vezes com períodos de irritação e explosões de raiva, contrastando com um período de normalidade, antes da doença se manifestar. Além disto, há uma autoestima grandiosa (com a pessoa sentindo-se poderosa e capaz de tudo), com necessidade reduzida de dormir (a pessoa dorme pouco e sente-se descansada).

Ao contrário da fase depressiva, o paciente maníaco não se sente doente, o que pode dificultar em muito seu tratamento.

Resumindo, a vasta maioria dos sintomas é visível no Axl: Alguns períodos de lucidez alternados por períodos de depressão e de euforia que podem durar anos (ficou 8 anos fora dos holofotes na década de 90 e 6 na década de 2000), sentimentos de grandeza com gastos financeiros enormes, grande irritabilidade com coisas pequenas e irrelevantes, aumento de peso, entre outros que já citamos acima.

Não sou nenhum psiquiatra para diagnosticar ninguém com uma doença, ainda mais uma doença tão grave. Mas Axl foi submetido a testes na década de 90 e sua condição clínica foi essa. Em uma entrevista para a Rolling Stone recentemente ele disse que suas mudanças de humor não tem nada a ver com a doença, e que a doença é apenas uma desculpa que pessoas interessadas em tirar algum benefício financeiro dele encontraram para justificar alguns de seus atos. Os psiquiatras discordam…

Em um episódio da décima temporada da série Law & Order: Special Victims Unit, a filha e a mãe de um dos detetives são diagnosticadas com a doença. Há uma conversa interessantíssima que as duas têm na prisão, em que elas dizem o quanto se sentem diferentes do resto da sociedade, vivendo em seu mundo. A avó diz que alguns dias acorda com vontade de dormir por mais 12 horas, e então fica no quarto por dias, mas outras vezes acorda com uma repentina vontade de ir para Paris aprender a pintar e também viajar o mundo. Ela narra então um momento em que foi forçada a tomar a medicação de Lítio que aparentemente Axl se recusou a tomar… Ela disse que agia normal, sem ondas de euforia ou depressão, mas que sentia-se vazia, sem alma, oca. E que preferia viver uma vida de altos e baixos do que ter passar novamente pela sensação do tratamento com o Lítio. Ela finaliza dizendo que viveu a vida como quis, e que paga um preço terrível por isso.

Mais ou menos como Axl. Ele faz só o que quer. Se tivesse continuado com o velho Guns N’ Roses eles seriam atualmente uma das maiores bandas do planeta, em um patamar que poucos conseguiram alcançar. Caso tivesse concretizado seus planos inicias do Chinese Democracy, certamente a banda seria imensamente maior e mais respeitada. Mas ele não quis. E hoje paga o preço. Não que ele ligue pra isso…

Escrito por Lucas Surjus e publicado originalmente por Axl Rose – Fã Clube

Fonte: Guns N’ Roses: transtorno bipolar, a doença de Axl Rose http://whiplash.net/materias/news_829/175141-gunsnroses.html#ixzz37CHmP1pN

SOMANDO ESFORÇOS NO ATENDIMENTO DE CRIANÇAS COM TRANSTORNOS MENTAIS GRAVES: PSICOTERAPIA ANALÍTICO-COMPORTAMENTAL E PSIQUIATRIA.

2014-05-15 15-2

Um dos debates propostos na mesa redonda que aconteceu no III Congresso de Psicologia e Análise do Comportamento (CPAC), promovido pela UEL, entre 15 e 17 de maio deste ano, tratou do assunto abaixo descrito.

Os transtornos mentais na infância podem constituir um grande risco para o desenvolvimento sócio-cognitivo. Detectados e tratados adequadamente, o prognóstico do indivíduo pode ser favorecido. Diante de sua importância, o Psiquiatra e o Psicólogo muitas vezes precisam somar esforços, objetivando a mais rápida e completa resolução da morbidade, e possibilitando a retomada do desenvolvimento normal. A introdução da terceira edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM), da American Psychiatric Association, em 1980 representou uma importante inovação para a Psiquiatria Clínica, na medida em que se introduziu uma mudança paradigmática de um sistema nosológico para um sistema sindrômico e classificatório. Na medida em que o DSM e a CID 10 trazem classificações puramente descritivas, não etiológicas, com categorias definidas operacionalmente, a troca de informação entre a Psiquiatria Clínica e a Psicologia analítico-comportamental tornou-se possível, favorecendo aos psicólogos clínicos a busca de classes funcionais possivelmente concomitantes dentro de um quadro sindrômico, e aos Psiquiatras Clínicos à busca de classes funcionais dentro de um quadro sindrômico definido. A interação entre estas duas formas de pensar pode ser interessante em um contexto de saúde mental, na medida em que favorecem o processo de pensar os déficits ou excessos comportamentais das crianças como possíveis diagnósticos psiquiátricos. Com isso, permite-se a divulgação de possibilidades terapêuticas para a saúde mental da infância (técnicas comportamentais e terapias farmacológicas). Nesta palestra foram apresentados conceitos relacionados ao papel do psicólogo analista do comportamento e do psiquiatra comportamentalmente informado, importantes para o tratamento em saúde mental da infância. Abordaram-se questões sobre o processo de construção do diagnóstico em Psiquiatria da Infância, sobre particularidades da Análise Funcional aplicada à infância e sobre o tratamento conjunto entre psiquiatra e psicólogo.

Felipe Pinheiro de Figueiredo (Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento/ Departamento de Medicina, Universidade de São Paulo- FMRP/ UNICESUMAR, Maringá, Brasil) Mary Elly Alves Negrão (Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto – SP, Brasil) Simone Martin Oliani (Departamento de Psicologia, Faculdade Pitágoras de Londrina, Londrina, Brasil)

A insuficiência materna e o vazio do corpo-mente: história natural do desenvolvimento das somatizações.

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                Neste dia, feito para comemorar as mães, fico pensando neste sujeito que preenche o meu dia-a-dia. Ante às dezenas de mães que tenho o privilégio de topar ou estar neste papel que exerço de Psiquiatra da Infância e Adolescência, vejo de todas: mães-autoritárias; mães-participativas, mães-irmãs; mães-amigas; mães de sangue; mães de sentimento; mães de desejo; mães pais; mães avós. Daí me deparo que ser mãe não é apenas ser um sujeito, mas, muitas vezes, faz-se nela um adjetivo, um verbo, uma frase; um texto.

                Freud, Lacan, Winnicot e outros pensadores da Psicanálise já falavam do papel primordial deste personagem para o desenvolvimento do ser humano, num formato de um todo indissociável: mente-corpo. O ser humano é uma das poucas espécies que não nasce suficientemente independente. Por isso, precisa de um outro até que assim se torne (independente tanto em termos de desenvolvimento motor, quanto em termos de desenvolvimento cognitivo e afetivo). Assim, seria com base na relação mãe-filho que o processo de “regulação mútua” das relações entre as pessoas se constituiria. Uma mãe “suficientemente boa” permitiria a internalização deste processo pelo filho, representando as relações na instância do ego. Do contrário, as experiências relacionais ficariam isentas de simbolizações, experienciando-se corporalmente, nos órgãos. Estariam aí uma das explicações para as somatizações, tão comuns em nossa atual cultura.

                Segundo Lacan, o bebê, ou mesmo um adulto regredido, vivenciaria o corpo como feito de pedaços dispersos. O todo, por outro lado, estaria alienado ao corpo da mãe, sendo confundido por ela. Seria através do discurso materno que o inconsciente da criança faria-se modelado, permitindo, assim, a integração do seu próprio corpo e a consequente desvinculação do corpo materno, abrindo espaço para dois seres e relações diádicas.

                Assim, um imago materno que exagera ou ausenta-se na função de conter ou desintoxicar o excesso de estímulos provindos das mais diversas fontes, não permitiria o desenvolver-se deste outro em si. Expressa-se, desta forma, os sentimentos através do corpo.

                Bion usa o termo “mães hipocondríacas” para falar daquelas que desvirtuam as angustias das crianças, dando uma localização orgânica para algo que pertence ao todo. E assim, inicia-se uma forma de sentir; através de órgãos que doem, sim, mas junto a eles doem os sentimentos, muitas vezes esquecidos.

                A utilização da criança como uma imagem de si (numa extensão narcísica) ou como um complemento erótico estaria no âmago da questão. Enquanto isso, a figura do pai seria descartável, desqualificada e ausente do discurso simbólico.

                Pessoas que se desenvolvem desta forma costumam apresentar uma afetividade esvaziada, sem cor, e costuma-se chamar as relações destas como “relações brancas”. Tal dificuldade de colorir daria acesso ao pensar apenas de forma concreta, através dos órgãos. Criar-se-ia, assim, uma história sem palavras, onde o corpo seria o cenário e, portanto, nele seria a expressão dos sentimentos.

                Mas volta-se ao personagem, este, indispensável para que as partes se tornem um todo e que a extensão se torne independente. Com tudo isso, venho cá pensando na beleza e na dificuldade de ser mãe. Ao mesmo tempo que semeia e vê crescer, sabe-se que não é para si; ao ver se desenvolver, sabe-se que isto trará desprendimento e diferenciação. Como então suportar esta dor e, ao mesmo tempo, continuar a semear?! Será que há uma forma de se ensinar a ser aquela mãe de Winnicott “suficientemente boa”?

                Creio eu que a resposta sempre será negativa. Ser mãe é deixar-se moldar pelas intuições; deixar-se amar generosamente; deixar que um outro (o pai) dê pitacos em sua obra quando assim julgar importante; é apaixonar-se; fundir-se; desligar-se; sofrer junto; preocupar-se com os longos, distantes e perigosos saltos que, por sinal, ensinou a iniciá-los. Ser mãe é estar disponível para ser o que um outro lhe exigir; é desprender-se de si para encontrar num outro a modificação de si mesma que muitas vezes não é aquela mais sonhada, mas é a desenhada de fato. Por fim, ser mãe, acho, é estar presente apesar de ausente, para que, na ausência, haja um ser que, enfim, consiga, por cima, olhar nos olhos, abraçar generosamente e, enfim dizer: “obrigado mãe por me permitir sentir como um todo, amar como um todo, estar como um todo e, independente e longe de ti, te fazer como uma parte de mim.”

Felipe Pinheiro de Figueiredo
Medico Psiquiatra da Infância e Adolescência.
CRM PR- 31918.
Doutorando Programa de Saúde Mental – USP

Ansiedades e preocupações: quando o normal se torna um problema.

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            Quem nunca experimentou ansiedade? Aquela sensação desagradável e vaga de apreensão, como se algo fosse acontecer… E quando isso vem junto de sensações pelo corpo, como palpitações, aperto no peito, desconforto gástrico e inquietação? E o medo. Quem nunca sentiu esta apreensão frente a alguma ameaça conhecida? Sim, ansiedade e medo são emoções presentes em todos nós e as experimentamos como sensações absolutamente normais frente à situações novas, estressantes e que de alguma forma nos mobilizem afetivamente. São estas sensações que nos preparam para algo que irá nos exigir mais, e muitas vezes, nos permitem ultrapassar obstáculos da vida.

            Porém, a ansiedade e o medo podem se tornar prejudiciais para a vida. Quando nos encontramos em um estado constante e frequente de ansiedade, preocupação excessiva e medo capaz de nos causar sofrimento e prejudicar nossa qualidade de vida, devemos ficar atentos para a existência de um problema denominado pela Psiquiatria como Transtorno de Ansiedade Generalizada. Tal quadro afeta cerca de 6% da população ao longo da vida, gerando prejuízos importantes na vida social, escolar, no trabalho e em outras áreas da vida. A principal característica desse transtorno é a ansiedade e a preocupação excessiva presente a maior parte do tempo acerca das atividades do dia-a-dia.

            É claro que nos preocupamos com as tarefas rotineiras e com nossos compromissos do dia-a-dia mas, no caso do Transtorno de Ansiedade Generalizada, a intensidade, duração e frequência dessa preocupação encontra-se muito além do que a situação poderia nos gerar. A dificuldade em controlar essas emoções desagradáveis é tão intensa que atrapalha a atenção e a concentração nas tarefas mais simples, dificulta a tomada de decisões e mesmo o controle de impulsos. Nesses momentos, tudo pode ser motivo de preocupação, medo e ansiedade ocupando a mente: a própria saúde, a saúde dos familiares, acontecimentos no trabalho, situação financeira, compromissos próximos, viagens, fatalidades, prazos a cumprir e qualquer tarefa rotineira.

            Alguns sintomas ansiosos podem se manifestar ainda na infância e adolescência, se agravando ao longo das fases da vida, até se tornar um quadro que atrapalhe e cause sofrimento. Pelo caráter multifacetado do Transtorno de Ansiedade Generalizada que, com muita frequência, incluem sintomas físicos, quem sofre acaba procurando profissionais médicos como clínicos, cardiologistas, gastroenterologistas e neurologistas, buscando ajuda e explicações para os sintomas. Quando nenhuma causa física para os sintomas é encontrada, a hipótese de um transtorno de ansiedade deve ser levantada e tratada.

            Neste momento, o médico psiquiatra se torna o profissional preparado para realizar uma avaliação clínica considerando fatores biológicos, psicológicos e ambientais para o esclarecimento do diagnóstico e orientação do tratamento adequado. O tratamento da ansiedade generalizada nem sempre é medicamentoso. Os casos leves a moderados podem ser tratados apenas com psicoterapia. Nos casos cujos sintomas apresentam-se mais intensos, a terapia medicamentosa e associada a psicoterapia, resultam em uma maior efetividade. O tratamento, quando bem conduzido, devolve o bem estar e a qualidade de vida essenciais para o restabelecimento da capacidade de enfrentar os medos e as apreensões da vida.

Dra. Giovana Jorge Garcia

Médica Psiquiatra
CRM-PR: 24.337/RQE:17431
Doutoranda do Programa de Saúde Mental
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
Universidade de São Paulo-USP